segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

O mar não está para peixes

Não há escolha
É tocar o barco
Negociar com o vento
Estancar a sangria
Com o torniquete d'alma
Soltar as velas
E se entender com o leme
Fazer acordo com a maré
Sentir a brisa na rosto
Respirar mais uma vez
O mar é dono do destino 
E não está para peixes
A navegação da vida
Exige calma e paciência
E não há carta náutica
Que ensine o exato caminho
db

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Egrégora de dois na Paulista

Adoro quando japoneses
param na minha banca
de poesia na paulista.
Adoro pela sua falsa
simplicidade, pela sua
suposta timidez, pela
sua fala baixa.
Eles chegam em silêncio
com a cabeça baixa,
compenetrados.
E quando se interessam,
olham com aquele sorriso
discreto, que diminui ainda
mais os olhos pequenos.
Os mais velhos destilam
mansamente uma
sabedoria de vida e de
tradição que sempre
me encanta.
Os mais novos também
tem um DNA de sabedoria
que me intriga.
As mulheres orientais,
especialmente as japonesas
e descendentes têm alguma
força que não se encontra
em manuais ocidentais.
Talvez um passado atômico,
talvez uma experiência milenar
ou tudo junto tenha
feito dessas mulheres
pessoas especiais.
Domingo uma dessas
mulheres especiais
passou por lá.
Uma senhora, pequena
e magra, vestida com roupas
esportivas ocidentais que só os
orientais mais velhos usam
para passear.
Perguntou silenciosamente,
sem uma palavra, apenas
com um gesto, se poderia
ler as poesias que
distribuo de graça.
Eu, ocidental acidentado,
pouco afeito à delicadeza
de um gesto, quebrei o
encanto do silêncio e falei
que ela ficasse à vontade.
Eram dezenas de poesias
na caixinha de madeira.
Ela, em pé, ia lendo uma
a uma e após ler, empilhava
cuidadosamente o papel lido
no cantinho da caixa.
Eu observava apreensivo.
Sempre fico apreensivo
quando leem minhas poesias,
mas com ela minha costumeira
insegurança era maior,
silenciosamente eu ansiava pela
sua aprovação.
Aquela pequena senhora oriental
ali na rua naquele momento, era
muito maior que eu.
Vez por outra ela respirava fundo
ao terminar a leitura de uma poesia.
Teria gostado?
Teria se decepcionado?
E foi lendo sem pressa,
separava algumas em
um outro ponto da caixa.
De repente, ela levantou os olhos
para mim e disse:
- Todas suas?
Eu disse sim com a cabeça
(um gesto meu finalmente)
- Que inspiração!
Eu respirei aliviado, ela continuou
usas leituras e eu fiquei observando.
Notei que ela não lia algumas
até o final e ela teve ter
percebido que notei por
telepatia pois logo em seguida
me explicou baixinho:
- Só leio até o fim se o assunto
me interessa.
Voltou a ler.
Sem tirar os olhos do papel,
como que com vergonha,
ela começou a me contar
que também escrevia
Disse que tinha participado
de um concurso de poesias
cujo tema era escravidão
e que todos escreveram sobre
um lugar chamado Palmares e
um homem chamado Zumbi.
Coisas das quais ela nunca
havia ouvido.
A poesia dela, que foi premiada,
falava de um despertador que
quando tocava era como uma
chibata que estalava e ardia
nas suas costas e a fazia levantar
e trabalhar todos os dias da vida.
Contou que sua alforria só veio
quando começou a escrever poesia.
Ao final da leitura de todas
ela separou duas.
(Sei quais foram e também as escolheria)
Levantou seus olhos novamente para mim
e disparou:
- Quem é Manoel de Barros?
(Ri feliz internamente)
Contei para ela quem era.
Ela sorriu e perguntou:
- Eu encontro no google?
Eu disse que sim,
que felizmente sim e
que procurasse por
"poesia de Manoel de Barros"
Ela finalizou:
- Dizem que a gente aprende três coisas novas
todos os dias. Hoje você me ensinou a terceira.
Sorri e não disse nada, ela disse adeus
com um gesto de cabeça e foi embora.
Eu fiquei agradecendo
pela dádiva de poder fazer poesia.

db (05/02/2018)

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

O que é viver

Ter que se doar
em muitos
e não conseguir
Pagar promessas
que não se fez
para santos em que
não se acredita
Se achar um
poço que
transborda
insuficiências
Eis aí o que
é que é viver

db

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Rua que me vive

Esse céu que cobre
Essa nuvem que me faz sombra
Essa chuva que me banha
Esse asfalto que me sustenta
Essa fumaça que me respira
Essa multidão que me empurra
Essa briza que me alivia
Esse barulho que me ensurdece
Essa calçada que me passeia
Esse viaduto que me desaba
Essa esquina que me dobra
Essa é a rua que me vive
db

sábado, 20 de janeiro de 2018

A pesar de tudo (ou Lispectorando o Peito)

A gente vive a pesar de
A pesar de, a gente continua
A pesar de, a gente suporta
A pesar da falta de controle
A gente tenta se acalmar
A pesar da falta de resposta
A gente continua a perguntar
A pesar do não entender
É bom ter inteligência
Para ao menos ter
Consciência do que não
se entende
A pesar de, é preciso amar
A pesar de, é preciso conviver
A pesar da ignorância coletiva
É bom nos vacinar
Para ao menos
evitar o contágio
A pesar da escuridão
Existe a lua e o dia seguinte
A pesar da morte existe o antes dela
A pesar da parede há a janela
A pesar do risco
Há a esperança de sucesso
A pesar de, resistimos
A pesar de, respiramos
A pesar da fumaça
Há o espaço
A pesar da tristeza
Há a poesia e a canção
A pesar da sociedade
Há a solidão e a pesar dela
Há o abraço
e a amizade e o coração
A pesar de tudo
E seja como for
O pesar de tudo
É que nos desatina
E aguentar a dor
A pesar da falta de morfina
É o que nos faz viver
É o que a vida nos ensina
db

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Se quiser me entender

Se que quiser me entender
Não responda minhas
pergundas
Mas compartilhe das
minhas dúvidas
Não questione minha
descrença
Nem tente me fazer acreditar
Acredite na sua crença
E isto me bastará
Se quiser me entender
Não concorde comigo
Mas respeite minha opinião
Ela é sempre provisória
Tentarei respeitar a sua
Mesmo que seja definitiva
Se quiser me entender
Leia me nos olhos
E ouça meus silêncios
Respeite os meus medos
e não suspeite das
minhas lágrimas
Se quiser me entender

db

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Desimportante

Às vezes é preciso
Lembrar do Manoel de Barros
Para entender a
Importância das
Coisas desimportantes

Lembrar que
Pomba na areia do
Parque, tênis sujo e
Bola de plástico
É matéria para poesia

Briga de criança, baldinho
Velho, bexiga furada e merda
De passarinho
Também dá poesia boa

A sombra da árvore
Então, desimporta tanto
Quanto brisa fresca, canto
De Bem-te-vi e cheiro de mato
Aí é poesia certa

Agora... celular quebrado,
Falta de sinal, de pressa
E do que fazer (coisa rara)
É o material mais precioso
E aí: Já é poesia.

db

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

"Não sou nenhum Sun Tzu mas prefiro mil vezes um inimigo inteligente a um burro. Com o inteligente há sempre a possibilidade de acordo." db

Lugar nenhum

lá no lugar de ninguém
em lugar nenhum
ali onde o nada tem
onde se é qualquer um
onde se descansa calado
e não se ouve ninguém
onde a paz é presente
onde o silêncio persiste
lá onde não há caminho
onde a paciência persiste
ali onde se canta sozinho
e não querer nada é aceito
lá onde se pode respirar
e não tornar tão pesado o peito
onde a dúvida é mais leve
onde só poesia se escreve
onde se faz por opção
e não porque se deve
não sei onde é esse lugar
nem se o lugar existe
mas é lá que eu quero estar
não sei se é só imaginação
não sei se é só miragem
mas estou procurando a estação
e quero comprar a passagem

db

sábado, 25 de novembro de 2017

A rua

Na rua é preciso ter respeito
respeito com a rua, com os da rua
com as leis tácitas dela
E não são só os sem teto
sem lar, sem para onde ir à noite
que são dela
A gente vai sendo também
Aos poucos, aos trancos
Pelos flancos, pelos poros
A rua vai introjetando na gente
E vamos nos sentindo dela
com o viver das experiências
A gente vive, apanha, aprende
Quem só passa por ela
a caminho de casa, do trabalho
ou seja lá para onde estiver indo
não tem uma parca noção do
que acontece em cada esquina
em cada beco, em cada canto
Na rua a educação é outra
A lei é outra e o caminho
pode não ser o que a placa indica
ele também pode ser outro
E aí, quando você acha
que já é quase íntimo da rua
Percebe que
A rua não é de ninguém mas
tem seus donos

db

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Na rua

Se for pra rua
Lembre-se:
Lá o chão
É mais perto
E o tombo
é quase certo
E é com ele
Que se aprende
Lá tem sol que arde
Tem lua que clareia
Tem som que ensurdece
O assunto na rua
É mais reto
E a razão tem
Muitos lados
Na rua a arte
Pode ser maldita
A poesia sinistra
Mas é de verdade
Você descobre
Cedo ou tarde
Que lá
O buraco
É muito mais
Em baixo
Mas não tenho
Certeza
Só acho...

db

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Tempos sombrios

Atravessamos tempos sombrios.
Tentam nos tirar conquistas
Tentam nos intimidar com suas leis
e com seus tentáculos oficiais
Eles tentam nos acuar
e nós só temos ideias, ideais
e nossa arte como arma.
Somos muitos, mas muitos
de nós estão assustados,
cansados, acomodados.
E tudo o que eles querem
é que nos acomodemos
e que aceitemos tudo que
eles fazem como normal,
como parte de uma norma
que nós não conhecemos
e nem ajudamos a criar.
Tudo que eles querem é
que nos adaptemos às
suas regras, ao seu sistema
Que aceitemos passivamente
suas ordens e seus conceitos
Acomodados e sem ânimo
para a luta, nos somos
presas fáceis.
Eles estão vindo
Vão invadir nossas casas,
Vão nos tirar de nossas camas
Vão queimar nossos lençóis
E aí, nos vamos acordar assustados
e sem defesa
E eles vão cercear nossos sonhos e
vão jogar por terra nossos ideais.
E tudo que eles querem e precisam
É que continuemos descrentes,
acomodamos e acovardados.
Até quando vamos permitir?
Quando é que vamos deixar
de ser somente
revolucionários de boteco?
Somente
guerrilheiros de rede social?
E entender que a vida e a luta
não é só virtual?


db

Reflexões Cardiológicas

Já ouvi alguém dizer que o passado
pulsa dentro do peito como um segundo coração
No meu, esse segundo coração tem arritmia
Pulsa as vezes forte e doído, as vezes nem o sinto bater
O passado é tão mais importante quanto mais
morno é o presente e a perspectiva de futuro
Como todo mundo, divulgo sim meus grandes feitos
e escondo, mais ainda, os meus malfeitos,
minhas misérias interiores, meus medos e pecados
E talvez todas as consequências destes tenham
servido de experiência e estofo para realizar aqueles
Só na poesia sou capaz de rasgar o peito
e mostrar esses dois corações
E mesmo assim só os verão os bons entendedores
Faço do passado e do presente poesia hoje
e espero que ela me acompanhe no futuro
Quanto mais doida e doída for a batida
desses corações que trago aqui dentro
melhor para a poesia que está por vir...


db

(reflexões cardiológicas)

quarta-feira, 25 de outubro de 2017


Limpeza Social

Essas pessoas indesejáveis que habitam os faróis
Esses filhos de não sei quem que vendem balas
Esse artistas de rua e seus malabares
Esses homens que fedem e moram nas calçadas
Essas mulheres que pedem esmolas com crianças no colo
E esses viciados chapados sentados no chão
E as roupas rotas que elas usam
Esse mal cheiro que exalam
E esse incômodo e esse nojo que eles nos causam
Essa sensação de que não temos nada com isso
Por que eles existem? Por que não se escondem?
Vamos criar leis que os elimine, que os afaste de nossa visão
Leis para não sentirmos mais medo
Leis para não sentirmos mais o seu cheiro
Não ter que partilhar a rua com eles
Não podemos conviver com isso
Nos somos superiores, não somos responsáveis
Eles são lixo
Nós somos puros, nós somos limpos
Eles nos dão sensação de insegurança
Eles podem danificar nossos carros
Nós somos donos de tudo
Eles não são nada
Mas até quando? Até quando?

db

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Poesia


Se mudar alguma coisa
na vida de alguém
Se melhorar o dia de 

qualquer pessoa
Se causar só uma reflexão
ou só um sorriso
ou um pequeno suspiro
Se trouxer uma lembrança
Ou fizer esquecer algo ruim
Se trouxer inspiração
Se fizer respirar melhor
Se fizer cair uma lágrima
Ou se só umedecer os olhos
Se der vontade de levar pra alguém
Se bater no peito e fizer eco
Se fizer olhar pra mim com
Sorrisinho de "gostei"
Se causar vontade de 
também fazer poesia
Ou de ler poesia
Ou de dar poesia
Ou de viver poesia
De qualquer forma
A poesia terá valido a pena
db

fb/douglasbunder
@bunderdouglas

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Lugares

Há lugares onde o sol nasce cedo 
para ter mais tempo de iluminar o dia
Onde há muitas árvores, 
mas os passarinhos fazem ninho 
em fios de eletricidade só para variar
Onde há muitas praças com muitas 
árvores e o chão fica forrado de flor de ipê
Tem praça com coreto, tem praça com 
concha acústica, tem praça com igreja matriz
E nas paredes, no teto e nos vitrais da igreja 
tem lindas obras de arte que 
ninguém nem repara mais
Há lugares onde as pessoas
fazem questão de dizer bom dia
E onde se pode pode fazer malabares 
nos faróis e vender artesanato no jardim
Onde o povo conhece e se 
orgulha de seus artistas
Onde os abraços são mais apertados, 
os sorrisos mais abertos e se conversa olhando no olho
Há lugares onde saudade se mata com conversa
Lugares onde, a noite, se senta na calçada 
pra contar mentiras que ninguém acredita e 
verdades que todo mundo já sabe
Onde a gente revê quem ficou e relembra quem já foi
Há lugares onde o tempo passa mais devagar
E a gente consegue ver o tempo passando
Porque tem tempo pra ver o tempo passar

db


sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Verve

Quando a poesia ferve
Qualquer palavra serve
Qualquer momento flui
E todo verbo é verve
Quando a poesia flui
Qualquer palavra intui
Qualquer momento ferve
E todo verbo serve
Quando a poesia é verve
Qualquer palavra influe
Qualquer momento serve
E todo verbo ferve
Quando a poesia flui
Nada no mundo intervém
E toda e qualquer palavra convém

db (setembro/17)

Quando chove emoção

Na tarde sonolenta
Da Paulista
Uma menina para 
para es(colher) poesia
Diz que já conhece
Faz um elogio
E fica decidindo
Qual azulejo levar
A mãe um pouco
sem paciência
(talvez cansada):
- Gostou desse?- Onde você vai por?
- Leva esse mesmo...
A menina impassível
Continuou a escolher
Disse que acha que
começou a gostar 
de poesia por minha causa
E aí, eu virei as costas
e me afastei para chorar
de emoção um pouquinho
Eu já disse que
todo artista tem que 
"causar"
Mas nessa tarde 
de domingo na Paulista
quem causou em mim
foi uma menina 
chamada Paola.
Paola, sabe aquele
mar de água salgada
que tem no canto do olho?
Pois é...
Ele transbordou
porque você fez
chover emoção...

db 25/09/2016

sábado, 16 de setembro de 2017

NORMOSE

Hoje uma linda menina
oriental
parou em
frente à minha banca
de poesia
Olhar sereno para
meus azulejos
Fiquei observando
tentando adivinhar
se ela estava
gostando ou não
(como sempre, ou
quase sempre, faço)
Vi que tinha uma
argolinha no nariz
(chamam de piersing)
Eu disse que eles
(os azulejos) tinham
fragmentos de
poesias minhas
Ela só sorriu
e nada disse
Continuou
contemplando
os dito cujos
Algum tempo depois
ou porque
já tinha visto todos
ou porque já
havia se cansado
me disse:
Então vou te dar
uma poesia minha
E puxou de
dentro da bolsa
um saquinho
Fui pegar uma
uma poesia e...
- NÃO! Com a
mão esquerda!
Puxa. Eu, pobre
poeta da rua,
não sabia que
devia pegar
a poesia com
a mão esquerda
Atabalhoado que sou
fui logo metendo
a mão direita.
Ok, mão esquerda,
perguntei o porquê.
Ela me explicou
Eu entendi.
E com a mão
correta
( a esquerda )
puxei uma que dizia:
NORMOSE
É VIROSE
Inadvertidamente
e sem entender nada
disse:
- Que legal!
E em seguida
ela fez a pergunta
que me desmontou:
- Você sabe o que é
NORMOSE?
E eu...
- Claro que, que, que...
Não!
Ela me explicou o que é
depois me elogiou pela
sensibilidade
e foi embora.
Aí eu pensei:
Acho que nem eu
Nem ela
Sofremos disso
Dessa tal de NORMOSE
Nós, eu e ela,
sofremos de outra
coisa:
de Poesitose
ou quem sabe de
Poesitite...
db (16/09/2017)
Em tempo: de uma olhadinha em Asas em versos
é muito bom!
Normose: É a doença que torna medíocres os seres humanos, conduzindo à uma vida sem metas, sem fulgor, sem paz, sem significado, sem vigor, sem criatividade, sem felicidade. Um normótico é o tipo engendrado pela coletividade, por ela condicionado, e dela dependente. É o tipo tido por "normal" na sociedade em que vivemos. Normótico é o mesmificado, que, sempre buscando ajustar-se ao coletivo, perde sua identidade, e faz todas as concessões aderindo à dança dos modismos que se sucedem.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Oração da rua

Ocupo
a cidade
ocupo a rua
e as pessoas
Desejo
que desejem
Que se importem
Que mereçam
Torço
Pra que possam
Que consigam
Que se esforcem
Quero
Que entendam
Que aprendam
Se iluminem
Sonho
Que ocupem
Seu espaço
Seu direito
Rezo
Pra que o
esforço tenha
Sempre recompensa
Digo
que a luta
exige força
exige raça
Que nunca se
Enfraqueça
seu princípio
ideal e
opnião
E quando lhe
negarem
o seus pleitos
seus direitos
ou razão
Que Ainda
reste força
em seus peitos
Pra dizer
Rotundo
NÂO!


db 09/2017




Sabonete, cobertor e escova de dente.

O Zé tava quieto.
Tava na rua
trabalhando
Ninguém estava
Incomodando
Aí chegou um mano.
Chegou com aquele
papo de
- Desculpa incomodar...
E aí veio a estória:
- Meu nome é João
Sou morador de rua,
morava lá no centro
mas os caras levaram
todas as minhas coisas.
- Levaram cobertor,
levaram sabonete,
escova de dente,
só fiquei com meus
documentos...
- Eu tenho todos
os documentos
quer ver?
E mostrava:
RG, CPF,
Título de eleitor...
Dizia:
- Eu sou gente boa
Mas moro na rua.
Uso umas coisinhas;
Uso pedra pra fazer a cabeça.
Esse é meu problema,
por isso estou na rua...
- Tentei ligar para
minha mãe mas
não sei porque o
orelhão não
tá fazendo ligação à
cobrar.
Preciso que ela me traga
algumas coisas:
Cobertor, escova de dente,
sabonete...
Preciso que alguém
ligue pra ela
pra combinar um lugar.
O João tá fudido
Morando na rua
E lá no centro da cidade
Levaram dele
cobertor, escova de dente, sabonete.
O João quer que alguém ligue pra sua mãe
O João tem vergonha de voltar pra casa
O João só quer cobertor, sabonete e escova de dente
Era sete de setembro
dia da independência
e também era dia da dependência do João
Todo dia é dia da dependência de
um monte de João
Que independência temos pra comemorar
Se tudo que o João precisa é de
um sabonete, uma escova de dente e
um cobertor?
E tiram isso dele
E nem isso ele tem...
E ninguém ajuda o João...
Nem o Zé ajudou...
A rua é foda mano.
Esse país tá foda João.
db (7 de setembro de 2017)

sábado, 26 de agosto de 2017

No fim


No início do
crepúsculo
o caminho
já é escuro
Enxerga-se cada vez
menos?
Sabe-se cada vez
mais?
Nos distanciando
do início
Andaremos
pé ante pé
De um lado
a avalanche
do outro
o precipício
Eis o que é!
O que era
antes estrada
de tijolos
amarelos
agora serão
outros paralelos
Da vida inteira
restará somente
anamnese
A coruja
de minerva
agora voará
para entender
que da antítese
e da tese
nenhuma
síntese restará
A dialética
antes santa
agora
quebrada ao
meio
Ficará manca

db (08/2017)

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

O que contece comigo?

O que acontece comigo
Que sinto dor quando
você diz ai?
O que me acontece
Que não contenho as lágrimas
Quando escuto teu choro?
Que sentimento é esse
Que me faz sentir
a dor que você sente?
Que não me deixa dormir
enquanto você não dorme?
O que se passa comigo
Que não fico tranquilo enquanto
não sei se você está bem?
Que desassego é esse
que só passa quando
vejo seu sorriso?

db (08/2017)

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

No canto do olho

No canto do olho
Tem um mar
De água salgada
Que transborda
Sempre que chove
Emoção

db (08/2017)

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Anarco Poesia

Quando nasce a poesia
Digo a ela: Caminha!
Do mundo és agora
E nunca foste minha
Saia por aí afora
Exerça tua polissemia
E com esta tua alquimia
Mistura de versos feitos
Sem sentido padrão
Divulga ideia-anarquia
Sem amarras, sem conceitos
Sem governo e sem patrão
Seja antiga ou moderna
Seja fugaz, seja eterna
Não seja dúvida nem solução
pois poesia quando nasce
espalha ideais pelo chão
Digo de novo: caminha
És agora do mundo
E no fundo, no fundo
nunca foste minha.
(Douglas Bunder - 08/17)

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Está tudo bem


Há fases em que escrever
é difícil
Impera preservar o direito à
introspecção
Há períodos em que é necessário
o silêncio
até que a turbulência
se amaine
Como sempre, nestes períodos,
vamos fingindo que está
tudo bem (o poeta é um fingidor)
Mas assim como
depois de um porre
o vômito faz melhorar
Nesta hora também
só um regurgito de idéias,
sentimentos e aceitação
das experiências vividas
vai colocar as coisas
no lugar
Não no lugar de antes
mas em algum lugar diferente
e que não incomode tanto
A dor continua
mas o tempo deve ser
analgésico
Assim espero, assim seja
Amém...
db (11/08/2017)

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Diferença de opinião

Então tá.
Fica assim acertado
Eu aqui 
e você pra lá
Não tem problema
nossa diferença
O importante é
manter-me afastado
Meu pensamento divergente
afronta a sua crença
E você não aceita
quem pensa diferente
do que você pensa
Não tem discussão
A gente bate o pé
na opinião
e fica cada um com
suas verdades
Mas eu te digo
Nossas diferenças
Meu amigo
ainda vão deixar saudades

db (26/07/2017)

Sabe você? Sabe eu?

Sabe quando você contesta por respeito?
Sabe quando você briga porque ama?
Sabe quando você discorda só para ter assunto?
Sabe você? Sabe eu?


db

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Nós e nós na Paulista

Tem lua na madrugada da Paulista
Depois tem manhã malhada de luz...
E na manhã malhada chega gente
Tem jovens vindos da balada bêbados
Passam gays de todos os tons contando
Em alto tom as aventuras da noite
E tem os loucos conversando sozinhos
Falando com seus fantasmas talvez
Tem ciclistas e corredores felizes
Destilando suas "opioseratoninas"
Tem cães passeando com seus donos
Tem gatos no colo de moças solitárias
Velhinhos andando bem devagar
Homens gordos e suas esposas
Eles na frente elas atrás com as crianças
Mulheres magras tatuadas
Outros loucos falando dos
Dez mandamentos que Abrão guardou
Chegam os artistas plásticos
E mulheres lindamente plastificadas
E vem hippies com suas rugas no rosto
E crianças e moradores de rua
E outros loucos contando
Estórias que só a Paulista houve
Vem mágicos e músicos e palhaços
E um horda de gente invade a urbe
...

Uma velha senhorinha chega e lê:

"Nos nós
nós nos
atamos
sempre"

E diz que é estético, profético e poético
Que vai levar a poesia para sua nora
A nora é filósofa e vai entender
Pede um desconto pedindo desculpas
Desculpas aceitas, desconto concedido
Ela diz que adorava "aquele moço"...
Aquele que morreu: O Ferreira Gullar
Eu cito que também gostava muito
"Daquele moço" e cito uma frase dele:
"A arte existe porque a vida não é suficiente"
Ela me corrige:
- Ele disse que
"A arte existe porque a vida não basta"
Eu penso que a vida não basta mesmo
É preciso haver a senhorinha que
Compra minha poesia e que
Não deixa desatar meus nós à ela
É preciso que os loucos continuem
Passando na Paulista nos deixando
Em dúvida sobre nossa sanidade
E é preciso que haja lua na madrugada
E que nasça sempre manhãs malhadas de luz.

db (17/07/2017)




segunda-feira, 3 de julho de 2017

Como diria Baurelaire


É preciso embriagar-se
De vinho, poesia ou virtude
Optamos pelo vinho e pela poesia
Aquele que vem de longe
Traz a virtude da música
E cantamos, e bebemos
E percebemos que Deus
Tem coisa mais importante
A fazer do que existir
(já disse Santo Anselmo)
E nos resta a noite
E nos resta lembrar
Que aquele que é tímido
Quando se embriaga
Sai gritando pela rua o seu amor
(o que é dito bêbado foi pensado sóbrio)
E repito:
É preciso embriagar-se sempre
De vinho, de poesia ou de virtude
Mas só o álcool é
Santo, santo, santo
db (junho/2015)

quarta-feira, 14 de junho de 2017

É SÓ MINHA OPINIÃO

Eu tenho escutado, 
com certa perplexidade,
que adolescente drogado 
que anda pela cidade
pedindo ou roubando 
é o maior culpado
da decadência da sociedade.
Que ele não tem decência 
nem tão pouco inocência 
e deve ser eliminado 
porque é incorrigível
Vamos sumir com o safado 
de passado sofrível
e futuro horrendo
Já é bandido
e vai continuar sendo.
Vamos trata-lo a cacete
e empurrar pra debaixo do tapete
O que nos incomoda,
estraga nossa festa
e perturba o bem estar.
É o que nos resta,
E se não for possível
acabar com o ladrão
por que que não tatuar,
a força, na sua testa 
que ele é VACILÃO?
Não venha com o argumento
de que nunca aconteceu comigo
Já tive sim meu sofrimento
Tive amigo assassinado
Passei raiva e jurei vingança
Já fui roubado e assaltado
E até quase perdi a esperança
Sei de gente presa injustamente
E sei que tem muito bandido rico solto
E vivendo tranquilamente
Só que com esses você tem condescendência
E vacilando, pode até lhes dar clemência...
Mas veja, essa é só minha opinião.
A propósito: Quem é mesmo o vacilão?

db (junho/2017)

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Vamos resolver nossos problemas criando leis!

Vamos proibir caixas
24 horas de funcionar
depois das 22
Assim eliminamos o
problema dos assaltos
Vamos proibir malabares
nas esquinas e nos farois
eliminamos assim
um problema social
Vamos tirar os
viciados do centro da
cidade
assim eliminamos o
problema do tráfico
Vamos aumentar
a idade minima
para a
aposentadoria
assim eliminamos
o problema do INSS
Vamos lotar nossos
presídios
assim eliminamos
nosso problema
de criminalidade
Vamos criar leis 
que eliminem 
nossos problemas
Mas e o principal
problema que é o
povo?
Que lei vamos criar
para elimina-lo?

db 05/2017

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Rótulo roto

Se quer muito
Se encaixe
Ache seu rótulo
Rotule tudo e todos
Arrote seu rótulo rotudo
Risque meu nome da sua rota
Não me interessa sua nota
Se eu quisesse rótulo
o meu seria roto
Me perco
Prefiro pouco

db (maio de 2017)

quarta-feira, 12 de abril de 2017

O absurdo da nossa existência... ou falae Camus.

Nascer por puro acaso.
Crescer desviando do imprevisível
mas depender dele.
Não perguntar "por que".
Carregar uma vida de sentido obtuso
porque é necessário um mínimo de ininteligência
para se conseguir uma existência feliz.
(Daí a razão de não perguntar "por que")
Realizar que entre a vida e a morte se encerra
o espaço que nos cabe
Morrer por puro acaso.


db (março de 2017)

segunda-feira, 10 de abril de 2017

FOME


É preciso fazer poesia
como quem está com fome
Escrever quando a fome doer
Tem que comer até se saciar
Carboidratos de emoção
São necessários
Proteínas de amor
Importantes
Vitaminas de tristeza, alegria
Desilusão, medo ou esperança
Desejáveis
Adicione temperos
De qualquer emoção
Que te faça sentir
Tem que amargar a boca
Ou adoçar a alma
Tem que doer o estomago
E sentir o regurgito chegar na garganta
Se não for assim
A saciedade não é completa
Mas a sede...
A sede deve
Ser saciada com o vinho
Saciada até o desvario
Por que esse, o desvario,
É indispensável
Para se fazer poesia

db abril de 2017

quinta-feira, 9 de março de 2017

É só um menino que morre?

Um menino que morre na
frente de um restaurante
é só um menino
que morre?
Morreu só o menino
ou morreu nossa
capacidade de indignação?
A notícia que a mídia nos traz
banalizando mais uma desgraça
é só mais uma noticia
que corre?
Ou estamos perdendo
a capacidade de
discernir realidade
de ficção?
É justo responsabilizar quem?
Os pais numa família desestruturada
que deixam uma criança nas ruas?
Uma criança de 13 anos e
já viciada?
Os clientes que sentindo-se
incomodados com um garoto
pedindo comida reclamaram?
Os funcionários do restaurante
que espancaram o garoto?
Os donos?
Os governantes?
Todos nós?
E vemos a morte ao vivo ou gravada
em câmeras de segurança
e sentimos cada vez menos
Afinal já faz uma semana
E a desgraça da vez
hoje já é outra
Vamos culpar a todos
Assim dividimos a culpa
e sabemos muito bem
o quanto é difícil punir
quando muitos são culpados
Qual será a próxima notícia?
Qual será a próxima desgraça?
Não importa
Contanto que seja do lado de fora
da nossa porta.

Douglas Bunder - março/17

quarta-feira, 1 de março de 2017

Gaiola


Estava chovendo
A menina entrou e tirou os óculos
Pediu um não sei o que árabe para comer
Disse que havia pedido demissão
Do emprego do décimo andar
Porque se sentia um passarinho
Na gaiola
Na gaiola do décimo andar
Tinha ido trabalhar lá
Porque os tempos estão difíceis
Porque o pai estava desempregado
Porque o pais está sangrando
E eu senti uma estranha felicidade
Em saber que ela tinha pedido demissão
Do emprego que era uma gaiola no décimo andar
E pensei que ela poderia ser feliz em outro lugar
Fazendo as coisas que realmente importam
E eu desejei que ela conseguisse
Mas se ela não conseguir
Pelo menos ela se livrou do
Emprego que era uma gaiola no décimo andar
Eu também vivo querendo fazer as coisas que realmente importam
Mas sabe o pássaro azul que tem dentro do peito do Bukowski?
Eu tenho uma gaiola inteira.

Douglas Bunder (fev 2017)

Tempo

Cravo minhas unhas
na parede do tempo
mas desde que Issac
Inventou essa tal gravidade
A gente cai
Tudo cai
O tempo é grave
Então como o tempo passa
e isso é inexorável
Só resta a solução
Baudelairiana de
Embriagar-se
é a unica questão
Embriague-se
para fugir das mazelas
do tempo
Suas opções são:
Vinho
Poesia
Virtude
Corre ao bar
Se é a cachaça que te apraz
Se é só ela, fica lá
Se for a poesia compra e volta para escrever
Mas esteja certo de que é a poesia que vai te tirar do eixo
E será o regurgito dela e não o da cachaça
que te fará ainda vivo
Se for a virtude teu elo com a embriaguez
infelizmente não sei como te ajudar.
E depois disso tudo e para sempre
mantenha-se bêbado
É a única solução.
douglas bunder 02/17
Foto: Autoria desconhecida

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Convencional

52 min
acorde
leia o jornal
acredite no que lê
entre no carro e aperte o cinto
ligue o carro e ouça a música "mainstream"
no caminho xingue alguns motoristas e pedestres
no trabalho sente em sua cadeira confortável e faça contatos
converse com muitas pessoas e conte as mentiras em que você acredita
no final do dia vá beber com os amigos e repercuta o que você leu no jornal e ouviu no rádio
aceite os ídolos que o radio, a tv, o jornal, a internet e todos que estão sujeitos a tudo isso lhe impõe
volte para a casa assista à uma série que todo mundo ve
antes de dormir leia o livro que está todo mundo lendo, que saiu no rádio, na tv e que a internet disse que é ótimo
Pronto
Agora, antes de dormir diga: "eu não sou medíocre"
Douglas Bunder (fevereiro/2017)

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Drops


Para os desavisados:
O mundo acabou sim.
Isso que você está vivendo é apenas um sonho.
db

O tempo é antropofágico
Dê tempo ao tempo
E ele mesmo se incumbirá
De se extinguir
db

O tempo passa e a gente fica
ou a gente passa
e o tempo é que fica (para traz)?
db

Se existe reciprosaudade
O reencontro é inevitável?
db

O acaso, caso queira
Criar um caso, acasalará
com o ocaso?
db


Só quem chupa manga 
Sabe
Como o fiapo incomoda.
db

Estamos todos sós

Estamos todos sós
Talvez não adiante olhar para os lados
Talvez não adiante pedir aos céus
Nem se misturar à multidão
Estamos todos sós
Temo que a solidão esteja
Intrinsicamente ligada a nós
E se você olhar para o lado
E achar que há alguém com você, esqueça.
Este alguém também está só
E assim vivemos:
Um monte de gente acreditando
Fazer companhia uns aos outros
Mas estamos todos sós
Penso ser interessante compactuar com a solidão
Deve ser preciso aceita-la
Talvez a nossa própria companhia
Seja nosso único alento
Afinal quantos existem dentro de nós?
E ainda assim estamos sós com nós mesmos
Estranhamente somos muitos
E mesmo quanto juntos
Estamos todos sós.

Douglas Bunder 02/2017

Atenção. Só leia esse texto se você não tiver absolutamente nada mais importante para fazer!

Ouvi dizer (na verdade eu li)
Que o passado só existe na nossa memória
e o futuro somente nos nossos planos
O presente é a única realidade que temos.
(Um tal de Robert M. Pirsig que disse,
mas tem Nietzsche aí que eu sei)
Ele disse isso, se eu entendi bem, para
demonstrar que as coisas (todas as coisas)
só existem na nossa imaginação.
Ops! Mas aí o cara pegou pesado.
Não, calma... Peraí... Presta atenção.
A ideia é a seguinte:
Você só pode estar consciente de ter
visto um objeto qualquer depois que
o objeto foi visto. Certo?
(não entendeu? Porra, você
Só toma consciência de que o objeto
existe depois de ver o objeto. Se
ainda não entendeu para de ler
e vai fazer outra coisa.)
Acontece que entre o instante da visão
e o da consciência deve existir um lapso
de tempo (deve não, o lapso existe mesmo)
E não há nada que justifique a ideia de que
esse intervalo é irrelevante.
Então, o objeto que captamos racionalmente,
por causa deste pequeno lapso de tempo, está
sempre no passado, e, portanto, é sempre irreal.
Explicando melhor: entre a visão e a consciência
De que a bagaça existe passa um tempinho
portanto quando tomamos consciência já era:
O objeto está no passado!
Qualquer objeto concebido em termos
Intelectuais está sempre no passado, ou seja:
Só existe na nossa memória.
Haaaa. E agora?
E você aí preocupado com as contas para pagar...
Essas contas não existem... é tudo coisa da sua
IMAGINAÇÂO!

db 02/2017

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Seja sincero.


Para (nós) os artistas existem três tipos de pessoa:
Os que concordam comigo: Esses são ótimos!
Os que discordam de mim: Esses são péssimos!
Os que me ignoram. Esses são extremamente mal informados!
db 02/2017