sábado, 16 de setembro de 2017

NORMOSE

Hoje uma linda menina
oriental
parou em
frente à minha banca
de poesia
Olhar sereno para
meus azulejos
Fiquei observando
tentando adivinhar
se ela estava
gostando ou não
(como sempre, ou
quase sempre, faço)
Vi que tinha uma
argolinha no nariz
(chamam de piersing)
Eu disse que eles
(os azulejos) tinham
fragmentos de
poesias minhas
Ela só sorriu
e nada disse
Continuou
contemplando
os dito cujos
Algum tempo depois
ou porque
já tinha visto todos
ou porque já
havia se cansado
me disse:
Então vou te dar
uma poesia minha
E puxou de
dentro da bolsa
um saquinho
Fui pegar uma
uma poesia e...
- NÃO! Com a
mão esquerda!
Puxa. Eu, pobre
poeta da rua,
não sabia que
devia pegar
a poesia com
a mão esquerda
Atabalhoado que sou
fui logo metendo
a mão direita.
Ok, mão esquerda,
perguntei o porquê.
Ela me explicou
Eu entendi.
E com a mão
correta
( a esquerda )
puxei uma que dizia:
NORMOSE
É VIROSE
Inadvertidamente
e sem entender nada
disse:
- Que legal!
E em seguida
ela fez a pergunta
que me desmontou:
- Você sabe o que é
NORMOSE?
E eu...
- Claro que, que, que...
Não!
Ela me explicou o que é
depois me elogiou pela
sensibilidade
e foi embora.
Aí eu pensei:
Acho que nem eu
Nem ela
Sofremos disso
Dessa tal de NORMOSE
Nós, eu e ela,
sofremos de outra
coisa:
de Poesitose
ou quem sabe de
Poesitite...
db (16/09/2017)
Em tempo: de uma olhadinha em Asas em versos
é muito bom!
Normose: É a doença que torna medíocres os seres humanos, conduzindo à uma vida sem metas, sem fulgor, sem paz, sem significado, sem vigor, sem criatividade, sem felicidade. Um normótico é o tipo engendrado pela coletividade, por ela condicionado, e dela dependente. É o tipo tido por "normal" na sociedade em que vivemos. Normótico é o mesmificado, que, sempre buscando ajustar-se ao coletivo, perde sua identidade, e faz todas as concessões aderindo à dança dos modismos que se sucedem.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Oração da rua

Ocupo
a cidade
ocupo a rua
e as pessoas
Desejo
que desejem
Que se importem
Que mereçam
Torço
Pra que possam
Que consigam
Que se esforcem
Quero
Que entendam
Que aprendam
Se iluminem
Sonho
Que ocupem
Seu espaço
Seu direito
Rezo
Pra que o
esforço tenha
Sempre recompensa
Digo
que a luta
exige força
exige raça
Que nunca se
Enfraqueça
seu princípio
ideal e
opnião
E quando lhe
negarem
o seus pleitos
seus direitos
ou razão
Que Ainda
reste força
em seus peitos
Pra dizer
Rotundo
NÂO!


db 09/2017




Sabonete, cobertor e escova de dente.

O Zé tava quieto.
Tava na rua
trabalhando
Ninguém estava
Incomodando
Aí chegou um mano.
Chegou com aquele
papo de
- Desculpa incomodar...
E aí veio a estória:
- Meu nome é João
Sou morador de rua,
morava lá no centro
mas os caras levaram
todas as minhas coisas.
- Levaram cobertor,
levaram sabonete,
escova de dente,
só fiquei com meus
documentos...
- Eu tenho todos
os documentos
quer ver?
E mostrava:
RG, CPF,
Título de eleitor...
Dizia:
- Eu sou gente boa
Mas moro na rua.
Uso umas coisinhas;
Uso pedra pra fazer a cabeça.
Esse é meu problema,
por isso estou na rua...
- Tentei ligar para
minha mãe mas
não sei porque o
orelhão não
tá fazendo ligação à
cobrar.
Preciso que ela me traga
algumas coisas:
Cobertor, escova de dente,
sabonete...
Preciso que alguém
ligue pra ela
pra combinar um lugar.
O João tá fudido
Morando na rua
E lá no centro da cidade
Levaram dele
cobertor, escova de dente, sabonete.
O João quer que alguém ligue pra sua mãe
O João tem vergonha de voltar pra casa
O João só quer cobertor, sabonete e escova de dente
Era sete de setembro
dia da independência
e também era dia da dependência do João
Todo dia é dia da dependência de
um monte de João
Que independência temos pra comemorar
Se tudo que o João precisa é de
um sabonete, uma escova de dente e
um cobertor?
E tiram isso dele
E nem isso ele tem...
E ninguém ajuda o João...
Nem o Zé ajudou...
A rua é foda mano.
Esse país tá foda João.
db (7 de setembro de 2017)

sábado, 26 de agosto de 2017

No fim


No início do
crepúsculo
o caminho
já é escuro
Enxerga-se cada vez
menos?
Sabe-se cada vez
mais?
Nos distanciando
do início
Andaremos
pé ante pé
De um lado
a avalanche
do outro
o precipício
Eis o que é!
O que era
antes estrada
de tijolos
amarelos
agora serão
outros paralelos
Da vida inteira
restará somente
anamnese
A coruja
de minerva
agora voará
para entender
que da antítese
e da tese
nenhuma
síntese restará
A dialética
antes santa
agora
quebrada ao
meio
Ficará manca

db (08/2017)

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

O que contece comigo?

O que acontece comigo
Que sinto dor quando
você diz ai?
O que me acontece
Que não contenho as lágrimas
Quando escuto teu choro?
Que sentimento é esse
Que me faz sentir
a dor que você sente?
Que não me deixa dormir
enquanto você não dorme?
O que se passa comigo
Que não fico tranquilo enquanto
não sei se você está bem?
Que desassego é esse
que só passa quando
vejo seu sorriso?

db (08/2017)

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

No canto do olho

No canto do olho
Tem um mar
De água salgada
Que transborda
Sempre que chove
Emoção

db (08/2017)

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Anarco Poesia

Quando nasce a poesia
Digo a ela: Caminha!
Do mundo és agora
E nunca foste minha
Saia por aí afora
Exerça tua polissemia
E com esta tua alquimia
Mistura de versos feitos
Sem sentido padrão
Divulga ideia-anarquia
Sem amarras, sem conceitos
Sem governo e sem patrão
Seja antiga ou moderna
Seja fugaz, seja eterna
Não seja dúvida nem solução
pois poesia quando nasce
espalha ideais pelo chão
Digo de novo: caminha
És agora do mundo
E no fundo, no fundo
nunca foste minha.
(Douglas Bunder - 08/17)

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Está tudo bem


Há fases em que escrever
é difícil
Impera preservar o direito à
introspecção
Há períodos em que é necessário
o silêncio
até que a turbulência
se amaine
Como sempre, nestes períodos,
vamos fingindo que está
tudo bem (o poeta é um fingidor)
Mas assim como
depois de um porre
o vômito faz melhorar
Nesta hora também
só um regurgito de idéias,
sentimentos e aceitação
das experiências vividas
vai colocar as coisas
no lugar
Não no lugar de antes
mas em algum lugar diferente
e que não incomode tanto
A dor continua
mas o tempo deve ser
analgésico
Assim espero, assim seja
Amém...
db (11/08/2017)

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Diferença de opinião

Então tá.
Fica assim acertado
Eu aqui 
e você pra lá
Não tem problema
nossa diferença
O importante é
manter-me afastado
Meu pensamento divergente
afronta a sua crença
E você não aceita
quem pensa diferente
do que você pensa
Não tem discussão
A gente bate o pé
na opinião
e fica cada um com
suas verdades
Mas eu te digo
Nossas diferenças
Meu amigo
ainda vão deixar saudades

db (26/07/2017)

Sabe você? Sabe eu?

Sabe quando você contesta por respeito?
Sabe quando você briga porque ama?
Sabe quando você discorda só para ter assunto?
Sabe você? Sabe eu?


db

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Nós e nós na Paulista

Tem lua na madrugada da Paulista
Depois tem manhã malhada de luz...
E na manhã malhada chega gente
Tem jovens vindos da balada bêbados
Passam gays de todos os tons contando
Em alto tom as aventuras da noite
E tem os loucos conversando sozinhos
Falando com seus fantasmas talvez
Tem ciclistas e corredores felizes
Destilando suas "opioseratoninas"
Tem cães passeando com seus donos
Tem gatos no colo de moças solitárias
Velhinhos andando bem devagar
Homens gordos e suas esposas
Eles na frente elas atrás com as crianças
Mulheres magras tatuadas
Outros loucos falando dos
Dez mandamentos que Abrão guardou
Chegam os artistas plásticos
E mulheres lindamente plastificadas
E vem hippies com suas rugas no rosto
E crianças e moradores de rua
E outros loucos contando
Estórias que só a Paulista houve
Vem mágicos e músicos e palhaços
E um horda de gente invade a urbe
...

Uma velha senhorinha chega e lê:

"Nos nós
nós nos
atamos
sempre"

E diz que é estético, profético e poético
Que vai levar a poesia para sua nora
A nora é filósofa e vai entender
Pede um desconto pedindo desculpas
Desculpas aceitas, desconto concedido
Ela diz que adorava "aquele moço"...
Aquele que morreu: O Ferreira Gullar
Eu cito que também gostava muito
"Daquele moço" e cito uma frase dele:
"A arte existe porque a vida não é suficiente"
Ela me corrige:
- Ele disse que
"A arte existe porque a vida não basta"
Eu penso que a vida não basta mesmo
É preciso haver a senhorinha que
Compra minha poesia e que
Não deixa desatar meus nós à poesia
É preciso que os loucos continuem
Passando na Paulista nos deixando
Em dúvida sobre nossa sanidade
E é preciso que haja lua na madrugada
E que nasça sempre manhãs malhadas de luz.

db (17/07/2017)




segunda-feira, 3 de julho de 2017

Como diria Baurelaire


É preciso embriagar-se
De vinho, poesia ou virtude
Optamos pelo vinho e pela poesia
Aquele que vem de longe
Traz a virtude da música
E cantamos, e bebemos
E percebemos que Deus
Tem coisa mais importante
A fazer do que existir
(já disse Santo Anselmo)
E nos resta a noite
E nos resta lembrar
Que aquele que é tímido
Quando se embriaga
Sai gritando pela rua o seu amor
(o que é dito bêbado foi pensado sóbrio)
E repito:
É preciso embriagar-se sempre
De vinho, de poesia ou de virtude
Mas só o álcool é
Santo, santo, santo
db (junho/2015)

quarta-feira, 14 de junho de 2017

É SÓ MINHA OPINIÃO

Eu tenho escutado, 
com certa perplexidade,
que adolescente drogado 
que anda pela cidade
pedindo ou roubando 
é o maior culpado
da decadência da sociedade.
Que ele não tem decência 
nem tão pouco inocência 
e deve ser eliminado 
porque é incorrigível
Vamos sumir com o safado 
de passado sofrível
e futuro horrendo
Já é bandido
e vai continuar sendo.
Vamos trata-lo a cacete
e empurrar pra debaixo do tapete
O que nos incomoda,
estraga nossa festa
e perturba o bem estar.
É o que nos resta,
E se não for possível
acabar com o ladrão
por que que não tatuar,
a força, na sua testa 
que ele é VACILÃO?
Não venha com o argumento
de que nunca aconteceu comigo
Já tive sim meu sofrimento
Tive amigo assassinado
Passei raiva e jurei vingança
Já fui roubado e assaltado
E até quase perdi a esperança
Sei de gente presa injustamente
E sei que tem muito bandido rico solto
E vivendo tranquilamente
Só que com esses você tem condescendência
E vacilando, pode até lhes dar clemência...
Mas veja, essa é só minha opinião.
A propósito: Quem é mesmo o vacilão?

db (junho/2017)

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Vamos resolver nossos problemas criando leis!

Vamos proibir caixas
24 horas de funcionar
depois das 22
Assim eliminamos o
problema dos assaltos
Vamos proibir malabares
nas esquinas e nos farois
eliminamos assim
um problema social
Vamos tirar os
viciados do centro da
cidade
assim eliminamos o
problema do tráfico
Vamos aumentar
a idade minima
para a
aposentadoria
assim eliminamos
o problema do INSS
Vamos lotar nossos
presídios
assim eliminamos
nosso problema
de criminalidade
Vamos criar leis 
que eliminem 
nossos problemas
Mas e o principal
problema que é o
povo?
Que lei vamos criar
para elimina-lo?

db 05/2017

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Rótulo roto

Se quer muito
Se encaixe
Ache seu rótulo
Rotule tudo e todos
Arrote seu rótulo rotudo
Risque meu nome da sua rota
Não me interessa sua nota
Se eu quisesse rótulo
o meu seria roto
Me perco
Prefiro pouco

db (maio de 2017)

quarta-feira, 12 de abril de 2017

O absurdo da nossa existência... ou falae Camus.

Nascer por puro acaso.
Crescer desviando do imprevisível
mas depender dele.
Não perguntar "por que".
Carregar uma vida de sentido obtuso
porque é necessário um mínimo de ininteligência
para se conseguir uma existência feliz.
(Daí a razão de não perguntar "por que")
Realizar que entre a vida e a morte se encerra
o espaço que nos cabe
Morrer por puro acaso.


db (março de 2017)

segunda-feira, 10 de abril de 2017

FOME


É preciso fazer poesia
como quem está com fome
Escrever quando a fome doer
Tem que comer até se saciar
Carboidratos de emoção
São necessários
Proteínas de amor
Importantes
Vitaminas de tristeza, alegria
Desilusão, medo ou esperança
Desejáveis
Adicione temperos
De qualquer emoção
Que te faça sentir
Tem que amargar a boca
Ou adoçar a alma
Tem que doer o estomago
E sentir o regurgito chegar na garganta
Se não for assim
A saciedade não é completa
Mas a sede...
A sede deve
Ser saciada com o vinho
Saciada até o desvario
Por que esse, o desvario,
É indispensável
Para se fazer poesia

db abril de 2017

quinta-feira, 9 de março de 2017

É só um menino que morre?

Um menino que morre na
frente de um restaurante
é só um menino
que morre?
Morreu só o menino
ou morreu nossa
capacidade de indignação?
A notícia que a mídia nos traz
banalizando mais uma desgraça
é só mais uma noticia
que corre?
Ou estamos perdendo
a capacidade de
discernir realidade
de ficção?
É justo responsabilizar quem?
Os pais numa família desestruturada
que deixam uma criança nas ruas?
Uma criança de 13 anos e
já viciada?
Os clientes que sentindo-se
incomodados com um garoto
pedindo comida reclamaram?
Os funcionários do restaurante
que espancaram o garoto?
Os donos?
Os governantes?
Todos nós?
E vemos a morte ao vivo ou gravada
em câmeras de segurança
e sentimos cada vez menos
Afinal já faz uma semana
E a desgraça da vez
hoje já é outra
Vamos culpar a todos
Assim dividimos a culpa
e sabemos muito bem
o quanto é difícil punir
quando muitos são culpados
Qual será a próxima notícia?
Qual será a próxima desgraça?
Não importa
Contanto que seja do lado de fora
da nossa porta.

Douglas Bunder - março/17

quarta-feira, 1 de março de 2017

Gaiola


Estava chovendo
A menina entrou e tirou os óculos
Pediu um não sei o que árabe para comer
Disse que havia pedido demissão
Do emprego do décimo andar
Porque se sentia um passarinho
Na gaiola
Na gaiola do décimo andar
Tinha ido trabalhar lá
Porque os tempos estão difíceis
Porque o pai estava desempregado
Porque o pais está sangrando
E eu senti uma estranha felicidade
Em saber que ela tinha pedido demissão
Do emprego que era uma gaiola no décimo andar
E pensei que ela poderia ser feliz em outro lugar
Fazendo as coisas que realmente importam
E eu desejei que ela conseguisse
Mas se ela não conseguir
Pelo menos ela se livrou do
Emprego que era uma gaiola no décimo andar
Eu também vivo querendo fazer as coisas que realmente importam
Mas sabe o pássaro azul que tem dentro do peito do Bukowski?
Eu tenho uma gaiola inteira.

Douglas Bunder (fev 2017)

Tempo

Cravo minhas unhas
na parede do tempo
mas desde que Issac
Inventou essa tal gravidade
A gente cai
Tudo cai
O tempo é grave
Então como o tempo passa
e isso é inexorável
Só resta a solução
Baudelairiana de
Embriagar-se
é a unica questão
Embriague-se
para fugir das mazelas
do tempo
Suas opções são:
Vinho
Poesia
Virtude
Corre ao bar
Se é a cachaça que te apraz
Se é só ela, fica lá
Se for a poesia compra e volta para escrever
Mas esteja certo de que é a poesia que vai te tirar do eixo
E será o regurgito dela e não o da cachaça
que te fará ainda vivo
Se for a virtude teu elo com a embriaguez
infelizmente não sei como te ajudar.
E depois disso tudo e para sempre
mantenha-se bêbado
É a única solução.
douglas bunder 02/17
Foto: Autoria desconhecida

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Convencional

52 min
acorde
leia o jornal
acredite no que lê
entre no carro e aperte o cinto
ligue o carro e ouça a música "mainstream"
no caminho xingue alguns motoristas e pedestres
no trabalho sente em sua cadeira confortável e faça contatos
converse com muitas pessoas e conte as mentiras em que você acredita
no final do dia vá beber com os amigos e repercuta o que você leu no jornal e ouviu no rádio
aceite os ídolos que o radio, a tv, o jornal, a internet e todos que estão sujeitos a tudo isso lhe impõe
volte para a casa assista à uma série que todo mundo ve
antes de dormir leia o livro que está todo mundo lendo, que saiu no rádio, na tv e que a internet disse que é ótimo
Pronto
Agora, antes de dormir diga: "eu não sou medíocre"
Douglas Bunder (fevereiro/2017)

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Drops


Para os desavisados:
O mundo acabou sim.
Isso que você está vivendo é apenas um sonho.
db

O tempo é antropofágico
Dê tempo ao tempo
E ele mesmo se incumbirá
De se extinguir
db

O tempo passa e a gente fica
ou a gente passa
e o tempo é que fica (para traz)?
db

Se existe reciprosaudade
O reencontro é inevitável?
db

O acaso, caso queira
Criar um caso, acasalará
com o ocaso?
db


Só quem chupa manga 
Sabe
Como o fiapo incomoda.
db

Estamos todos sós

Estamos todos sós
Talvez não adiante olhar para os lados
Talvez não adiante pedir aos céus
Nem se misturar à multidão
Estamos todos sós
Temo que a solidão esteja
Intrinsicamente ligada a nós
E se você olhar para o lado
E achar que há alguém com você, esqueça.
Este alguém também está só
E assim vivemos:
Um monte de gente acreditando
Fazer companhia uns aos outros
Mas estamos todos sós
Penso ser interessante compactuar com a solidão
Deve ser preciso aceita-la
Talvez a nossa própria companhia
Seja nosso único alento
Afinal quantos existem dentro de nós?
E ainda assim estamos sós com nós mesmos
Estranhamente somos muitos
E mesmo quanto juntos
Estamos todos sós.

Douglas Bunder 02/2017

Atenção. Só leia esse texto se você não tiver absolutamente nada mais importante para fazer!

Ouvi dizer (na verdade eu li)
Que o passado só existe na nossa memória
e o futuro somente nos nossos planos
O presente é a única realidade que temos.
(Um tal de Robert M. Pirsig que disse,
mas tem Nietzsche aí que eu sei)
Ele disse isso, se eu entendi bem, para
demonstrar que as coisas (todas as coisas)
só existem na nossa imaginação.
Ops! Mas aí o cara pegou pesado.
Não, calma... Peraí... Presta atenção.
A ideia é a seguinte:
Você só pode estar consciente de ter
visto um objeto qualquer depois que
o objeto foi visto. Certo?
(não entendeu? Porra, você
Só toma consciência de que o objeto
existe depois de ver o objeto. Se
ainda não entendeu para de ler
e vai fazer outra coisa.)
Acontece que entre o instante da visão
e o da consciência deve existir um lapso
de tempo (deve não, o lapso existe mesmo)
E não há nada que justifique a ideia de que
esse intervalo é irrelevante.
Então, o objeto que captamos racionalmente,
por causa deste pequeno lapso de tempo, está
sempre no passado, e, portanto, é sempre irreal.
Explicando melhor: entre a visão e a consciência
De que a bagaça existe passa um tempinho
portanto quando tomamos consciência já era:
O objeto está no passado!
Qualquer objeto concebido em termos
Intelectuais está sempre no passado, ou seja:
Só existe na nossa memória.
Haaaa. E agora?
E você aí preocupado com as contas para pagar...
Essas contas não existem... é tudo coisa da sua
IMAGINAÇÂO!

db 02/2017

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Seja sincero.


Para (nós) os artistas existem três tipos de pessoa:
Os que concordam comigo: Esses são ótimos!
Os que discordam de mim: Esses são péssimos!
Os que me ignoram. Esses são extremamente mal informados!
db 02/2017

Elegendo utopias

Mastigar silêncios
Desentender mistérios
Parir distâncias
Ver de longe
Olhar de fora
Esquecer a hora
Ir contra o vento
Desimportar o tempo
Engolir verdades
Regurgitar dúvidas
Deixar o canto
Fugir do centro
Sair de dentro
Ter paciência
Ter resiliência
Acalmar o ego
Respirar de novo
E começar tudo outra vez
Douglas Bunder 02/2017

Aqui é topa tudo por dinheiro e Até o Silvio Santos foi embora?

Agora pouco no correio
A atendente me disse
Que o Silvio Santos
Está morando
Nos Estados Unidos
E que vem para cá
Somente de vez em quando
Para gravar os programas
Eu disse: Sério?
Ela falou que não sabe
Mas que ouviu falar
Eu ouvi falar também
Muitas coisas
Nesses últimos dias:
Ouvi falar que o Moreira Franco
Vai ser ministro do Temer
Que Edison Lobão
Vai ser presidente da CCJ
E que o Alexandre de Moraes
Vai para STF.
Eu digo: Sério?
Ô Silvio Santos
Você não
Tem um quartinho aí
Nos EUA pra mim?
Putz, mas ouvi dizer também
Que lá tem o tal do Trump
Que vai fazer um muro
Na fronteira com o México
Tá difícil...
Melhor parar o mundo
Que eu quer descer
db 02/2007

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Egrégora na Paulista

São 3:30 da manhã
Dou bom dia pra Paulista
O sono dói mas hoje é domingo
Banca montada começa o dia
Vamos vender artesanato de ser
E distribuir poesia grátis
Mais tarde (bem mais tarde)
O Sr. Paulo chega
Pega uma poesia e lê:
" Muito cuidado ao pensar
Podem querer
Negar sua existência "
Perguntou para a Aninha
Se ela não queria conversar sobre a frase
Ela declinou e me passou a bola
Eu prontamente aceitei o desafio
O Sr Paulo me pediu para segurar
Duas pilhas pequenas (dessas de botão)
Tirou do bolso o aparelho de ouvido
Colocou as pilhas
Me disse que tinha dificuldade para ouvir
Me pediu para falar de frente
Ele teria que também fazer leitura labial
E logo começou:
Por que temos que ter cuidado ao pensar?
Eu disse que era uma referência à frase do
Descartes... (Penso, logo existo)
Ele discordou: Isso é Sócrates 400 anos a.C.
Eu aceitei (Sócrates é o pai de todos eles mesmo!)
Eu expliquei (olha eu explicando poesia de novo):
A ideia é de que pensamentos diferentes
do pensamento padrão nos dias de hoje
Estão sendo descartados
Se eu penso diferente, a tendência é
de que me ignorem (ou de que neguem minha existência)
Agora ele concorda comigo
E me diz que é verdade
E que precisamos ouvir as verdades dos outros
Fico contente que ele pense assim
Digo que é por isso que idolatro a dúvida
(Cito uma frase que ouvi do Abujamra
e que não sei se é dele:
"não há nada mais perigoso
do que alguém que tenha a certeza de estar certo"
Mostro um azulejo com uma poesia concreta minha
Onde digo que não tenho a certeza de nada
Ele sorri... E me pergunta se eu sei o significado da palavra Egrégora
Eu digo que não sei.
Apertamos as mãos, ele tira o aparelho de ouvido,
sorri de novo e vai embora
Eu fico feliz...
Cinco minutos depois ele volta e me diz:
Eu errei, a frase é de Newton.
Eu tento dizer que a frase é mesmo do Descartes
Mas ele já está sem o aparelho de ouvido
Eu continuo feliz...
Acho que essa tal de egrégora acontece todo
domingo na Paulista

Douglas Bunder 06/02/2017

Você sabe o significado de egrégora?

conceito espiritualista moderno segundo o qual a conjunção de pensamentos de um grupo forma uma espécie de entidade viva e invisível...

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

O cinza não me representa


Cuidado!
Essa cidade está minada de poesia
Explosiva de arte
Arte que salta dos muros
Do asfalto
Escorre até pelo cinza dos prédios
A arte não é inerte, não é passiva
É viva, é dinâmica, é pulsante
É como um vírus que
Se reproduz silencioso
Morre um, nascem milhões
A arte é como a natureza:
Entre uma pedra e outra
De cada muro
De cada parede
Sempre vai brotar o verde
E em cada muro
Em cada parede
Em cada grafite
Apagado
Há de brotar sempre:
Explosão de poesia e de cores
De idéias e de ídeáis
O cinza não me representa
E não adianta pintar por cima
A arte vai brotar de novo, sempre.
Douglas Bunder 22/01/2016


quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Nada

Gosto de escrever sobre o nada
De escrever sobre o não sei
Prefiro as incertezas
Prefiro a inexatidão
Quero a dúvida
Quero pouco
O vazio
Nada

Douglas Bunder 01/17

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

A poesia talvez 
Não me responda nada
Mas, com certeza,
É a razão de meus porquês
db

Coisas da Paulista


Um menino
com uma caneta na mão
Me pediu uma folha de papel:
Tinha perdido o caderno
onde escrevia poesias
Dei a ele o meu
Um poeta não pode
Desperdiçar inspiração
Baudelaire agradeceria
(Douglas Bunder)

" todo homem saudável consegue
ficar dois dias sem comer -
sem a poesia, jamais " (Charles Baudelaire)

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Quem sabe?


Há os que fogem de si
E procuram em outros
A razão de sua própria existência 
Há os que fogem de si
E buscam em coisas
A razão de existir
Há os que se fecham
Antropofágicos de si mesmo
Engolem sua própria essência
Há os que se doam
E ao se doar se acham
Há os que não sabem
Há os que não querem saber
Há os que vivem procurando
Há os que morrem sem saber
A razão de seus próprios porquês.
Douglas Bunder (01/17)

Dúvida

Só quem tem dúvida
É livre
Para acreditar no que quiser

Douglas Bunder

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Poesia sobre tudo que tenho aprendido

Eu queria fazer metáforas desaforadas
Brincar de florear palavras sem dizer nada
Dizer tudo de um jeito escondido
De forma que fique só subentendido
Discorrer sobre a falácia das falsas idéias
Descrever flores, rosas, margaridas, azaléias
Eu queria fazer um tratado sobre a amizade
Sobre historias de vida, tristeza, felicidade
Queria contar tudo que tenho escutado
De um jeito novo, manso, desacelerado
Queria dividir tudo que tenho aprendido
E contar como aprendo de um modo sofrido
Queria trazer essas historias pra casa
E dividi-las de uma forma que criem asas
Falar sobre vidas diferentes da minha
De mulheres que vivem sozinhas
Sobre pessoas que vivem na rua
Sobre minha alma cada vez mais nua
Sobre gente que vive de esmola
Sobre a rua ser também minha escola
Queria muito falar tudo isso sem dizer nada
Queria fazer uma poesia que gritasse calada
E fizesse estardalhaço com tudo que eu disse
Mas só no coração de quem a ouvisse

Douglas Bunder (12/2016)

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

"Fiz pacto com a Poesia: Só converso com verso" (Douglas Bunder)

Meu sestro

Tenho por sestro, as vezes,
Ler poesia pra minha neta
Não espero que ela goste nem entenda
Mas espero que o poema entronize nela
Do jeito que entronizou em mim...
Como fiz um pacto com a poesia
Quero também fazer um com ela:
Com ela só converso com verso.

sábado, 10 de dezembro de 2016

Sopro

A vida é um sopro
passa flutua cai
A vida é um sopro
Escorre foge se esvai
A vida é um sopro
Nem bem entra e vai embora
Deixa só uma brisa fria lá fora
E um vazio aqui dentro... (que não sai).

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Hoje eu acordei

Hoje eu acordei com vontade
De desentortar rios
De desdobrar esquinas
De rever conceitos
De idolatrar as dúvidas
Hoje eu acordei com vontade
De me apaixonar de novo
Por quem eu sempre amei
Hoje eu acordei com vontade
De lavar pedra
De ter paralelepípedo de estimação
Eu acordei com vontade
De ver arco-íris e de
Fazer amizade com duende
Hoje eu acordei querendo
Fazer o impossível
E celebrar as utopias
Hoje eu acordei com vontade
De fortalecer amizades velhas
E de fazer amigos novos
E se alguém acha
Que é impossível
Desentortar rios e
Desdobrar esquinas
Eu sinto muito
Pela sua descrença
Hoje é dia de estar feliz
Porque hoje eu acordei.

db 11/2016

sábado, 29 de outubro de 2016

Me Cobre ou Me Cubra


Se eu disser que devo
Cobre minha dívida
Se eu tiver certeza
Cobre minha dúvida
Seu disser que sei a verdade
Me pergunte qual delas
Se falar que sei muito
Me cobre humildade
Se não te vejo a tempos
Me cobre saudade
Se eu não estiver tentando
Me peça vontade
Se eu estiver errando
Me peça cuidado
E se eu não servir
Me deixe de lado
Se eu estiver no limite
Me cobre paciência
Mas se ao me encontrar
Eu parecer sem vida
Então não me cobre
Somente me cubra
Douglas Bunder (10/2016)

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Precipício do medo


Entrou no trem, magra e pálida
Um pacote nos braços
Em pé, no corredor do vagão
Contou uma pequena estória:
"Tenho câncer, perdi meus seios
Não recebo nada do INSS
Vendo imãs artesanais por um real
É para comer e pagar os
Os remédios que SUS não oferece"
Olhou para os passageiros e
Não teve ânimo de continuar
Sentou-se de frente para mim
Tinha os olhos claros cansados
Não do dia, mas da vida
Um lenço com gaivotas negras
cobria a cabeça sem cabelos
Levava uma mochila onde estava escrito:
"Precipício do medo"
Fiquei observando
Nossos olhares se cruzaram por um instante...
O trem chegou ao destino final
Saímos e tomamos rumos opostos
A distância entre nós foi
Ficando do tamanho de um
Precipício... de medo.
Então eu chorei...

db (10/2016)

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Filosofia de bêbado.


Dei uma olhada em Sócrates e Platão
Depois Hobbes, Descartes, Pascal
Passei por Espinosa, Voltaire e Leibniz
Aí cai em Hegel, Shopenhauer e Kierkegaard
Em Nietzsche dei uma parada maior
Mas logo fui para Wittgenstein e Kuhn
E depois de tudo isso acabo descobrindo
Que minha filosofia, de longe, se identifica
Mais com Heineken... Nem sei o porque!
db (11/07/2016)

"Muito cuidado ao pensar. Podem querer negar sua existência." db (07/2016)

quarta-feira, 13 de julho de 2016

O escrevinho.


Tenho feito uns escrevinhos
Pobres, é verdade, porém sinceros
Inclusive na falsidade
Tem escrevinho sobre a vida
Sobre tudo que não sei
Sobre dúvida idolatrada
Sobre paciência, que há de haver
Sobre o caos, sobre a manada
Sobre o ser ser melhor do que o ter
Escrevinhos sobre erros
E a incapacidade de repará-los
Escrevinhos sobre o alívio
De tê-los reconhecido
Escrevinhos sobre amizade
E troca de impressões
Escrevinhos sobre o passado
Cada vez maior que o futuro
Escrevinhos sobre filhos e netos
Sobre amores e desamores
Uns voláteis outros perenes
Escrevinho sobre o nada
E portanto sobre eu mesmo
Escrevinhos para não esquecer
Que a escrita é sobre o
Que julgamos saber
E o escrevinho é sobre
A consciência da ignorância


db (13/07/2016)

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Envelhecendo


Em velhas frases
Em novas fases
Em velho sendo
Envelhecendo
Só recolhendo
Só recorrendo
Ao que se sabe
Ao que me cabe
Novos amigos
Outros antigos
Velhos discursos
Em novas falas
Colhendo dúvidas
Sem semeá-las
Levando embora
Jogando fora
O que eu sabia
Fazendo agora
Só poesia...

db (01/07/2016)

quinta-feira, 30 de junho de 2016

Idolatrando a dúvida

Idolatro a dúvida sempre.
Até que a única certeza me leve.
E que seja leve.

db 28/06/2016


quinta-feira, 23 de junho de 2016

Por que?

Por que ?

Hoje
A Jiripoca pode piar
A Ema pode gemer
O jacaré pode nadar de costas
O Burro pode empacar
A vaca pode ir pro brejo
O boi pode bumbá
Urubu pode virar meu louro
A cobra pode fumar
O cão pode chupar manga
O tamanduá pode dar bandeira
Tico-tico pode ficar no fubá
A porca pode torcer o rabo
A égua pode ser lavada
O gato preto pode cruzar a estrada
Mas a onça...
A onça não pode mais beber água...

Por que?


db (28/06/2016)

Juma

quinta-feira, 16 de junho de 2016

O Muro (visto lá de cima)


As vezes socamos o ar
e não a parede.
Preservamos a mão
num gesto insuficiente.
As vezes é preciso sangrar.
As vezes mentimos
ao ficar calados
quando é importante falar.
Quebrar o muro
quando estamos em cima dele
nos faz cair na realidade.
As vezes é imprescindível assumir posições.
Porém sem nunca deixar
De idolatrar
a dúvida.

Db (16/06/2016)

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Como abdicar

Como abdicar do verso se quando rimo rimos juntos?
db

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segunda-feira, 6 de junho de 2016

Laura

Talvez você seja a poesia ao contrário.
Uma daquelas bem arretadas.
Daquelas de fazer chorar de raiva e amor
Que faz engolir em seco
Pura explosão de quase raiva
Centro de um mundo tão seu
Foge de mim as palavras as vezes
Talvez porque a calma que procuro na poesia
Não encontro no vulcão sempre
Pronto a explodir que você leva no peito
Para que o verso saia fluido é
Preciso garoa e você é tempestade
Uma tempestade que faz barulho
Até ensurdecer
Inunda até quase afogar
Então a poesia sai assim
Aos trancos
Não porque você não inspire
(como se fosse possível você não inspirar)
Não porque não te ame
(como se não te amar fosse possível)
Mas porque talvez
você seja a poesia ao contrário
E a poesia ao contrário também é linda!

db (02/06/2015)


Nem só de amor fala a poesia
Nem só de flor é feita a menina


Nem mesmo eu
Que me conheço desde que me sou
Sei de onde vim, nem pra onde vou

De longe, no caos não se vê leveza
É difícil fugir da nossa própria natureza

Se eu pudesse escolher 
Entre ser dor ou ser flor
Só de sorrisos poderia viver
Mas é no meio desse furacão que mostro quem sou
E ainda assim, (juro)
No caos existe amor. 

LB (02/06/2016)

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Retorno

(para Aninha)

E de repente
Meu quarto de novo
A mesma Janis na parede
A mesma cama desarrumada
Roupas jogadas no chão
Na cabeça um tempo
Que não devia acabar nunca
Umas pessoas que fazem falta
Porque representam
Liberdade, amizade, felicidade
Que fazem o peito respirar leve
E que depois de passado
Trazem suspiros
Um tempo que
Não quero que acabe nunca
E que não vou deixar acabar
Mesmo que nunca mais volte
E de repente
Meu quarto de novo
E realizo que a vida
É um eterno retorno
E é assim que tem que ser...
db (02/06/2016)


quarta-feira, 1 de junho de 2016

Poesia


Poesia é uma janela
Em que você vê, através dela
O que acontece lá dentro
De você

Poesia é uma tela
Em que você pinta, borra e pincela
Tudo o que te rodeia e que está dentro
De você

Poesia é fazer de conta a realidade
Que você monta à vontade
E esconder toda a verdade que está dentro
De você

Poesia é fazer a casa cair
É não ter para onde ir
A não ser ir para dentro
De você

A poesia sempre está dentro
De você


db (01/06/2016)